KUMITE, O TERCEIRO PILAR

Os tipos de kumite e a importância de treinar corretamente.
Olá, KARATE NERD!
Em textos anteriores comentamos sobre os primeiros dois pilares do Karate-dō, kihon e kata. Hoje o tema é o terceiro pilar, que é tão importante quanto os demais, o Kumite.
Recapitulando, o ensino do Karate-dō é dividido pedagogicamente em três partes: kihon, kata e kumite. Apesar de nenhuma ser mais importante que a outra, existe certa lógica para o progresso do aluno dentro dessa ideia. No kihon aprendemos os fundamentos, as bases que tornarão nossa prática mais sólida e eficaz. É nesse momento que se foca nos gestos específicos, ataques e defesas com diferentes partes do corpo. Na segunda etapa, o kata, realiza-se um combate simulado contra diversos adversários imaginários; o karateka procura aplicar dentro de um determinado contexto as técnicas desenvolvidas previamente. Isso nos leva à terceira etapa.
Kumite [組手]: sendo Kumi [組] "conjunto/encontro” e Te [手] “mão(s)”, podendo, dentro do contexto, ser entendido como “luta” ou “combate”.
O Kumite, na aula, não é necessariamente o momento da luta propriamente dita, mas o momento em que se fazem exercícios com foco na lógica do confronto. Historicamente, nem sempre essa prática fez parte do ensino do Karate-dō, pois, de acordo com certas fontes, os antigos mestres consideravam todas as técnicas possivelmente mortais, não sendo possível treinar em aula sem grandes danos físicos. A prática do Karate-dō, por muitos e muitos anos, focava-se apenas na prática dos kata.
Com a entrada do Tōde [唐手] no Japão, fez-se necessário que se adaptasse não só o nome para Karate [空手] (e Karate-dō [空手道], posteriormente), mas toda sua forma de ensino, surgindo assim a prática do kumite. Veremos agora seus diferentes tipos.
Yakusoku kumite [約束組手] (combate combinado)
É um exercício de combate combinado, no qual dois karateka executam uma sequência de ataques e defesas pré-estabelecida. São exercícios com foco no aprendizado de elementos básicos necessários ao combate, como distância, controle, etc. Cada estilo possui diferentes manifestações, as quais serão abordadas no futuro.
Shiai kumite [試合組手] (combate de competição)
É o combate realizado como jogo, ou seja, como competição, envolto por regras específicas. É o tipo de combate estabelecido em torneios de Karate-dō, com regras específicas (e de acordo com as federações em questão). Normalmente não é permitido contato excessivo, apenas superficial.
Jiyū kumite [自由組手] (combate livre)
É o combate de forma livre, porém controlada. Sem regras, uso livre de todo o tipo de técnica, tanto de membros superiores como inferiores, luxações, projeções, estrangulamentos, etc. Entretanto, os adversários devem ter em mente o respeito entre si e não executar golpes realmente traumatizantes, pois a finalidade é o desenvolvimento, não vencer o outro.
Jisen kumite [実戦組手] (combate real)
É a luta decorrente de um desafio ou de um embate para medir as habilidades dos contendores. Poderia se dar na forma de um desafio pessoal ou da prática de Dōjō Yaburi, que consistia em desafiar um Dōjō inteiro, em ambos os casos exercendo sempre a honra e o respeito. Não se trata, portanto, de uma forma de treinamento.
É no kumite que o karateka coloca em prática de fato seu treinamento enquanto prática guerreira. Enquanto no kata se enfrenta adversários internos, ou seja, imagens de si mesmo, no kumite o karateka se coloca à prova perante um adversário externo, seja um colega ou um professor. Seguindo a lógica atual dos Budō, o foco não está na vitória perante o adversário, mas na evolução através dessa prática.

Para saber se uma defesa é eficaz após muito treino, ou mesmo um ataque, o kumite exerce um papel fundamental, seja ele apenas como exercício básico de aula ou na própria competição. Há quem afirme, ainda, a importância do kumite no próprio desenvolvimento da personalidade, pois exploraria situações de adversidade e apreensão (como o medo de ser atacado, por exemplo). Além disso, é nesse momento que o karateka treina sua adaptabilidade e criatividade, criando e explorando métodos para ser bem sucedido no combate, com base em toda sua formação prévia.
Mais adiante traremos textos que exploram os tipos de exercícios de kumite, de diferentes estilos, abordando seus aspectos culturais e origens. Espero que o texto tenha sido de algum valor a vocês e até a próxima!
OSU!!!
Brandel Filho [ブランデル フィリオ]
Editor do site e professor de Karate-dō,
Que ainda não terminou de erguer os pilares na reforma de sua casa.
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DICIONÁRIO RÁPIDO
Dōjō Yaburi [道場破り]: quebrar/desafiar o local do caminho
Karate [空手]: Mãos vazias/do Vazio
Karate-dō [空手道]: Caminho das mãos vazias/do Vazio
karateka [空手家]: Especialista (estudioso) do Karate
Kata [形]: Forma
Kihon [基本]: Fundamento
Kumite [組手]: Encontro de mãos (combate)
Osu [押忍]: cumprimento/saudação sem tradução específica
Jisen kumite [実戦組手]: combate real
Jiyū kumite [自由組手]: combate livre
Shiai kumite [試合組手]: combate de competição
Tōde [唐手]: Mãos Chinesas
Yakusoku kumite [約束組手]: combate combinado
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REFERÊNCIAS
MICHAELIS. Dicionário Prático de Japonês-Português. São Paulo: Melhoramentos, 2003.
MICHAELIS. Dicionário Prático de Português- Japonês. São Paulo: Melhoramentos, 2001.
NAKAYAMA, M. O Melhor do Karatê: Visão abrangente, práticas. São Paulo: Editora Cultrix, 2000a. V. 1, 11 v.
NAKAYAMA, M. O Melhor do Karatê: Kumite 1. São Paulo: Editora Cultrix, 2000b. V. 3, 11 v.
NAKAYAMA, M. O Melhor do Karatê: Kumite 2. São Paulo: Editora Cultrix, 2000c. V. 4, 11 v.





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