Saiba o que muda ou não muda no Karate brasileiro.
Um assunto polêmico no mundo do Karate-Dō em 2014 foi a criação da United World Karate (UWK) e suas representantes locais, como a União de Karate do Brasil (UKB). Fundadas no segundo semestre de 2014, tais organizações parecem ter vindo para ficar e já geraram muita discussão e brigas pela internet.
Tentaremos comentar aqui, da maneira mais rápida e prática possível, o que está acontecendo. Há quem diga que o Karate brasileiro está, finalmente, unificado após 35 anos. Isso é verdade? O que, de fato, acontece para os praticantes e professores filiados, de forma geral?
É isso o que vamos discutir do princípio.
A CRIAÇÃO DA UWK
De 16 a 18 de Julho de 2014 foi realizada uma reunião em Lausanne (Suíça), que reuniu membros de diversas entidades de Karate-Dō: International Karate Organization Kyokushinkaikan (IKOK), International Karate Union (IKU), International Traditional Karate Federation (ITKF), World Fudokan Federation (WFF), World Karate Confederation (WKC), World United Karate Federations (WUKF) e a World United Karate-Do Organization (WUKO). Durante estes dias as entidades resolveram unir suas instituições sob uma nova bandeira e fundaram a UWK, instituição esportiva com o intuito de representar o Karate em nível mundial, mas desta vez de forma unificada.
A novidade nem é a criação de mais uma entidade mundial de Karate, mas o fato de que formas distintas de enxergar esta prática resolveram se unir. Estamos falando das conhecidas vertentes das escolas (tradicional e esportiva), além das diferentes modalidades (contato e semi-contato). Dito isso, a UWK já expôs seu primeiro objetivo: obter reconhecimento do Comitê Olímpico Internacional (COI), para a entrada do Karate-Dō nos Jogos Olímpicos de Verão.
Você pode perguntar: e onde entra a World Karate Federation (WKF) neste esquema?
Não entra.
A WKF já é reconhecida pelo COI e o Karate já é uma modalidade Olímpica, apesar de nunca ter participado oficialmente do quadro permanente dos Jogos. Caso a arte venha a participar, hoje, será através da WKF, não da UKW, o que gera mais discussão e polêmica (assunto para um futuro artigo). Levando isso em conta, a rivalidade entre estas duas potências é inevitável, por diversos motivos, sejam eles econômicos ou de política interna.
Se por um lado a unificação de tantas entidades pode contribuir para a diminuição da bagunça de federações e instituições existentes, por outro pode promover maior rivalidade com os membros da WKF. Este aspecto, no entanto, já era esperado: existe uma rixa bem conhecida entre a WKF e as demais organizações, sendo o Brasil um excelente exemplo. Para que tenham uma noção, o Karate Nerd já recebeu e-mails de pessoas que afirmam não lerem nossas matérias porque em determinado momento falamos da entidade X ou Y.
Atualmente a UWK está trabalhando nos processos necessários junto ao Sports Accord, para seu reconhecimento no (COI). Se isso acontecerá, só o tempo pode nos mostrar.
E NO BRASIL?

Não tardou para que os representantes das organizações mundiais que compuseram a reunião de fundação da UWK organizassem sua representação. Em 27 de Agosto de 2014 foi fundada, em São Paulo (Brasil), a União de Karate do Brasil (UKB). Suas diretrizes são as mesmas da entidade superior e têm o objetivo de auxiliar a arte nas terras tupiniquins.
A primeira diretoria da UKB é composta por: Osvaldo Messias de Oliveira (Confederação Brasileira de Karate Interestilos), Gilberto Gaertner (Confederação Brasileira de Karate Tradicional), Márcio Fuscaldo (Federação Brasileira de Karate) e Otávio Lunardi (IKOK Sosai). E a primeira meta a média prazo da equipe é a realização do primeiro Campeonato Mundial de Karate Unificado, que acontecerá em São Paulo em 2015.
COMO FICA, ENTÃO?
Há quem afirme que, após 35 anos o Karate-Dō brasileiro está unificado. Bom, isso não é uma verdade absoluta, pois a CBK não aderiu à UKB e provavelmente nunca irá. De forma muito simples (pois é bem mais complicado que isso), podemos dividir nossa arte hoje entre estas duas entidades, o que é suficiente para afirmar que não há unificação total. Uma manchete honesta seria: "Após 35 anos o Karate brasileiro está menos desunificado."
Se você é filiado de algumas das instituições que se uniram à UWK, automaticamente faz parte desta nova entidade. Isso significa que pode participar de seus eventos e acontecimentos, assim como sempre pôde fazer na sua própria federação (e ainda pode). Na prática, pensando em seu dia a dia, não muda muita coisa: seu treino é o mesmo, seu professor é o mesmo e ainda precisa treinar muito para melhorar e evoluir (todos precisamos).
Caso sua filiação seja com a Confederação Brasileira de Karate (CBK), muda menos ainda; nada para ser exato. Você ainda é um filiado da WKF, que não foi alterada em nada, em termos de prática, pela criação da nova organização.
O dever das entidades desportivas, na verdade, é auxiliar para que seu desenvolvimento se cumpra da melhor forma possível, independente de qualquer discurso inflamado. Sua entidade não é assim? Pense sobre isso profundamente e tome uma decisão, baseado em como você (e seu professor) enxerga sua prática e quais seus objetivos.
Em linhas gerais, o que importa de verdade é treinar e continuar seu caminho evolutivo dentro do Karate-Dō e como ser humano. O resto é bobagem.
Osu!
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Professor de Karate-Dō pela Wadō-ryū Karate-Dō Renmei do Brasil
Mestrando em Gerontologia Biomédica - PUCRS
Bacharel em Educação Física - UFRGS
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